Diário da Floresta #1
O propósito das palavras que seguem, assim como possivelmente a continuação que virá nos próximos dias, é manter um registro atualizado dos estudos com as medicinas sagradas. O nomiei de Diário da Floresta.
Talvez esse post se torne um pouco mais extenso, pois sinto de aproveitá-lo para situar você sobre o ponto onde nos encontramos e que apesar desse ser o primeiro, não necessariamente é daqui que iniciamos essa jornada.
Conheci as medicinas da floresta a cerca de 4 anos (2021), e desde então, tenho realizado esse estudo com muita gratidão pela transformação que vem acontecendo em minha vida. Ao recordar de quem eu fui, vejo claramente o quanto foi curado.
De maneira alguma isso deve significar que me considero apto a falar aqui como um xamã, pajé, ou curandeiro. Sou um estudante das medicinas, um estudante da vida, um rezador.
Feita essa breve introdução, vamos ao relato:
Iniciamos preparando o ambiente, tanto externo quanto interno pois devido a sensibilidade que a medicina proporciona, aprendi que é importante resolver pequenos ruídos no ambiente e na vida, tanto quanto possível e então fizemos um rezo de abertura invocando a cura e proteção dos elementos da natureza.
Havia intencionado para aquela noite aprender mais sobre a prática da meditação. A própria medicina me ensinou no passado que seria através dessa prática que poderia estender os benefícios da “força” para o dia a dia.
Confesso que resisti por um tempo para por em prática, pois pensava ser uma realidade distante fechar os olhos e “parar de pensar”, e sincronicamente, a cerca de um ano a espiritualidade me conectou a alguém que me ensinou muito à respeito e que inclusive meditar é para ser simples, fácil e natural.
Os primeiros momentos para quem consagra, costumam ser os mais desafiadores. É muito importante aprender a passar pela limpeza inicial com atenção e leveza para que a continuação do estudo siga bem.
Tudo que acontece ali, vivemos de forma análoga na vida, obviamente que com menos intensidade, mas ainda assim, da mesma maneira.
Meditar me ensinou a levar o foco da observação para o momento presente, reconhecendo os pensamentos e emoções, sem me agarrar a eles, sem me preder. Quando um pensamento vem, e nos deixamos levar, nos perdemos da consciência e deixamos de viver o presente, que em suma, é o momento mais importante de nossas vidas.
Percebi por vários momentos minha mente me levando a direções diferentes, e aos poucos trazia a observação para as sensações do corpo e apenas deixava ir. Com o tempo, a prática e a repetição constante, aprendemos a passar pelo portal do medo e entendemos que faz parte do processo de cura, mas que acima de tudo, podemos confiar firmemente na medicina, na espiritualidade e no Grande Espírito, e então, olhando para dentro com o véu dissipado, no silêncio da mente é que a verdade foi se apresentando.
Noutro momento, me vi caminhando em terceira pessoa, porém minha forma era diferente. Tinha um corpo cristalizado e ao tomar consciência de quem era, linhas desse cristal translucido e quase que invisível partiram da minha cabeça em direção a inúmeros lugares. Pôde sentir por um breve instante a conexão com o Todo e partes dele.
Senti também a presença de seres de luz, que eu poderia chamar de médicos espirituais. Enquanto uma energia densa me deixava cansado, aos poucos eles trabalhavam em mim limpando e sanando o que era desnecessário ou seja, àquilo que podia ir embora.
Todo pensamento, emoção e sentimento, vibra em sua própria frequência. A medicina Ayahuasca limpa e equaliza nosso corpo, mente e espírito.
Aprendi também que devo estar atento a ideia que o momento sagrado é apenas no rezo e que depois dali “tudo bem” fazer as coisas de qualquer maneira. Cada estudo é uma oportunidade de crescimento e cura, mas é nossa responsabilidade levar adiante, para o dia a dia tudo aquilo que nos é ensinado. Com isso não temos mais a desculpa de antes de que não sabíamos.
Assim, ao final fizemos um rezo de encerramento, mas conscientes que a partir dali que o trabalho de verdade deveria ser feito, botando em prática o que foi aprendido e honrando àquilo que foi curado.
Hauxxx!






