A sensação de que “o ano voou” não é culpa do tempo: Entenda o Piloto Automático.
Chegando a Dezembro Exausto? A Culpa Não É do Tempo – Entenda o Piloto Automático
Começamos o ano com planos e objetivos claros, e de repente, é Dezembro. Se você tem a sensação de que “o ano voou” e se sente esgotado, mal-humorado e sem energia, saiba que você não está sozinho. Muitas vezes, o conceito de Piloto Automático pode ser a chave para entender como otimizar seu tempo e energia.
Ao olhar para o dia que passou, percebemos que não conseguimos sequer lembrar exatamente o que fizemos.
Essa sensação de tempo fugidio não é incomum. Segundo pesquisa “A Wandering Mind Is an Unhappy Mind” dos pesquisadores Matthew A. Killingsworth e Daniel T. Gilbert, 2010, foi demonstrado que que passamos cerca de 47% das horas em que estamos despertos pensando em algo diferente daquilo que estamos de fato fazendo. Em outras palavras, passamos boa parte de nossa vida funcionando no piloto automático.
Quando agimos sob o comando do piloto automático, podemos dirigir para algum lugar e, ao chegar, nos perguntarmos como chegamos lá. O corpo executa tarefas habilmente, enquanto a mente está “de férias” em outro lugar. Isso, no entanto, resulta em uma insatisfação vaga e persistente. É como se navegássemos pelo mundo como sonâmbulos, capturados em um sonho.
Neurociência da Economia de Energia: O Mecanismo do Piloto Automático
O motivo pelo qual o piloto automático é tão comum está na arquitetura do nosso cérebro, que busca a eficiência energética. Não é um defeito, mas sim uma grande vantagem evolutiva da espécie humana.
Quando repetimos uma tarefa (como dirigir, cozinhar ou amarrar os sapatos) diversas vezes, a mente une todas as ações necessárias à tarefa, e as conexões neuronais (sinapses) se fortalecem. Com a repetição, a atividade se torna um hábito. Esse processo permite que o cérebro encadeie tarefas longas e complicadas com uma participação mínima da mente consciente, consumindo apenas uma pequena parte da sua capacidade cerebral. O trabalho mental é transferido para os gânglios basais, e o espaço na mente consciente é liberado.
No entanto, quando estamos no piloto automático, perdemos a capacidade de lidar de maneira flexível com os eventos do momento. A mente utiliza esse “tempo livre” para entrar na chamada Rede em Modo Padrão (DMN). Uma das funções básicas dessa rede é projetar o self no passado ou no futuro e procurar problemas. Ao ficarmos emaranhados em pensamentos e sentimentos sobre o passado ou futuro, ou em racionalizações sobre nossa vivência, perdemos contato com o que está acontecendo no momento atual. Quando operamos neste modo, não conseguimos perceber nossos humores mudando ou o estresse aumentando.
As emoções, sentimentos e sensações são para serem sentidas , mas é importante saber gerenciá-las. No Programa de 8 semanas de Mindfulness – Âmago, você irá ter todo o suporte e apoio necessário para não precisar lidar com isso sozinho(a.) Inscrições abertas para a próxima turma de janeiro de 2026.
Mindfulness: Não É Relaxar, É Acordar
A solução para a sensação de que a vida está passando no piloto automático reside na Atenção Plena (Mindfulness). Embora o termo tenha ganhado popularidade no Ocidente e seja frequentemente ligado ao relaxamento, o relaxamento é, na verdade, um benefício que pode ocorrer, mas não o objetivo principal.
O Mindfulness é, antes de tudo, o oposto do piloto automático. É um convite para acordar para a própria vida e para o milagre de restaurar a mente dispersa para que possamos viver cada minuto da vida.
A definição operacional de Mindfulness, segundo Jon Kabat-Zinn, é a consciência que emerge através de prestar atenção de propósito, no momento presente, e sem julgamentos. É um estado de consciência que envolve estar atento de maneira receptiva e não julgadora à experiência momento a momento.
O principal objetivo do Mindfulness é o desenvolvimento da autorregulação e o fortalecimento do foco de atenção. Ao praticar, você está treinando seu cérebro para o foco e para a clareza.
Em vez de fugir da realidade ou tentar se livrar de emoções, a Atenção Plena nos encoraja a nos voltar para as experiências difíceis. Quando estamos conscientes, tomamos conhecimento da nossa narrativa interna e não ficamos perdidos nela.
O poder transformador reside em reconhecer que, mesmo que você se sinta sobrecarregado, ansioso ou infeliz, tensão, infelicidade ou exaustão não são problemas a serem resolvidos; são emoções. Elas refletem estados da mente e do corpo e, como tais, podem ser apenas sentidas.
Ao direcionar a atenção ao presente, somos capazes de saborear plenamente qualquer experiência, seja ela agradável, desafiadora ou neutra. Você se liberta da mente que suga sua energia vital e permite que a mente descanse no presente, preservando sua energia.
O melhor de tudo é que o momento em que percebemos que não estamos presentes, estamos presentes. Esse simples saber é o primeiro passo para sair da rigidez do piloto automático e começar a viver a experiência viva de cada momento.
Mindfulness é, portanto, a mudança de um modo “fazedor” (Atuante) para um modo “ser” (Existente), onde a vida se torna mais intensa e gratificante. Se você conseguir dobrar o número de horas em que está realmente vivo a cada dia, estaria, no fundo, dobrando sua expectativa de vida.
Pense na prática de Mindfulness não como mais uma tarefa na sua lista, mas como acender a luz para que você possa ver a sua vida, momento a momento. Estar presente é o recurso finito supremo. Ao focar no agora, você se liberta da ilusão de que o tempo está acelerando.






